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 : .  : 99,91%.   .

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 1


O quarto cheirava a ozono e a medo.

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Sergei Gordeev estava sentado numa cadeira de ferro sem encosto.

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As algemas cravavam-se nos seus pulsos.

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Em frente  uma mesa, sobre a mesa  um porttil.

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No ecr? piscava um ?cone verde: "Identifica??o conclu?da".

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O quarto cheirava a ozono e a medo. Sergei Gordeev estava sentado numa cadeira de ferro sem encosto. As algemas cravavam-se nos seus pulsos. Em frente  uma mesa, sobre a mesa  um porttil. No ecr? piscava um ?cone verde: "Identifica??o conclu?da".

 Sergei Gordeev, nascido em 1987  leu o rob?-secretrio com voz de locutor meteorolgico.

  , 1987  ,   -   .

 O seu ?ndice de amea?a: VERMELHO.

   : .

Probabilidade de cometer um crime grave: 99,94%.

   : 99,94%.

Decis?o: isolamento imediato.

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 Eu n?o fiz nada!  gritou Sergei.

    !   .

 Sergei Gordeev, nascido em 1987  leu o rob?-secretrio com voz de locutor meteorolgico.  O seu ?ndice de amea?a: VERMELHO. Probabilidade de cometer um crime grave: 99,94%. Decis?o: isolamento imediato.  Eu n?o fiz nada!  gritou Sergei.

Ele estremeceu.

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A cadeira rangeu no ch?o de bet?o.

    .

 Voc? tem o direito de permanecer em sil?ncio  continuou a voz.

     ,   .

 O sistema n?o comete erros.

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Sergei olhava para as suas m?os.

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As suas m?os tremiam.

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Ele estremeceu. A cadeira rangeu no ch?o de bet?o.  Voc? tem o direito de permanecer em sil?ncio  continuou a voz.  O sistema n?o comete erros. Sergei olhava para as suas m?os. As suas m?os tremiam.

Lembrou-se de como um ano antes instalara a aplica??o "Identificador" no telemvel  para um desconto no supermercado.

 ,             .

Lembrou-se de como assinou o acordo de utilizador sem o ler.

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Lembrou-se de como se ria dos paranoicos que recusavam as pulseiras.

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 Por favor  sussurrou ele.

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 Eu tenho filhos.

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Lembrou-se de como um ano antes instalara a aplica??o "Identificador" no telemvel  para um desconto no supermercado. Lembrou-se de como assinou o acordo de utilizador sem o ler. Lembrou-se de como se ria dos paranoicos que recusavam as pulseiras.  Por favor  sussurrou ele.  Eu tenho filhos.

A porta abriu-se.

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Entraram dois de uniforme cinzento.

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Sem rostos.

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Sem nomes.

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Apenas n?meros nos seus colarinhos.

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A porta abriu-se. Entraram dois de uniforme cinzento. Sem rostos. Sem nomes. Apenas n?meros nos seus colarinhos.

Levantaram Sergei.

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Ele n?o resistiu  n?o sabia como.

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Ele era contabilista.

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Gostava de fazer p?o aos fins de semana.

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Todas as sextas-feiras comprava ? filha um gelado com xarope de morango.

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Levantaram Sergei. Ele n?o resistiu  n?o sabia como. Ele era contabilista. Gostava de fazer p?o aos fins de semana. Todas as sextas-feiras comprava ? filha um gelado com xarope de morango.

 Posso pelo menos ligar ? minha mulher?  perguntou ele j no corredor.

     ?      .

Ningum lhe respondeu.

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A porta da cela de isolamento fechou-se com um estalido suave, quase educado.

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Houve 11.402 pessoas como Sergei naquele m?s.

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O sistema considerava-os criminosos.

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 Posso pelo menos ligar ? minha mulher?  perguntou ele j no corredor. Ningum lhe respondeu. A porta da cela de isolamento fechou-se com um estalido suave, quase educado. Houve 11.402 pessoas como Sergei naquele m?s. O sistema considerava-os criminosos. 

Eles n?o cometeram nenhum crime.

     .

Ningum fez perguntas.

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Exceto uma mulher.

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Eles n?o cometeram nenhum crime. Ningum fez perguntas. Exceto uma mulher. 




 2


Quarta-feira, 7h12 da manh?.

, 7:12 .

Vera Sokolova acordou tr?s minutos antes do despertador.

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Era um velho hbito  enganar o mecanismo que ela prpria criara.

      ,    .

Vera n?o gostava que algo decidisse por ela.

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Nem o despertador.

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Quarta-feira, 7h12 da manh?. Vera Sokolova acordou tr?s minutos antes do despertador. Era um velho hbito  enganar o mecanismo que ela prpria criara. Vera n?o gostava que algo decidisse por ela. Nem o despertador.

Ela sentou-se na cama, espregui?ou-se.

   , .

Atravs das persianas filtrava-se a luz leitosa do in?cio de novembro.

      .

Algures atrs da parede um vizinho furava  n?o, n?o furava, um berbequim fazia barulho, mas Vera j aprendera a n?o ouvir.

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Na mesinha de cabeceira, a pulseira inteligente piscou.

   -.

"Bom dia, Vera. O seu ?ndice: VERDE (0,02%). Boa noite? 7h 12m  um bom indicador."

 , .  :  (0,02%).  ? 7 12   .

Ela sentou-se na cama, espregui?ou-se. Atravs das persianas filtrava-se a luz leitosa do in?cio de novembro. Algures atrs da parede um vizinho furava  n?o, n?o furava, um berbequim fazia barulho, mas Vera j aprendera a n?o ouvir. Na mesinha de cabeceira, a pulseira inteligente piscou. "Bom dia, Vera. O seu ?ndice: VERDE (0,02%). Boa noite? 7h 12m  um bom indicador."

Ela sorriu de lado.

 .

At a manh? agora come?ava com o ?ndice.

     .

Antes, as pessoas desejavam-se bom dia.

      .

Agora desejavam "?ndice verde"  era considerado mais sincero.

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Vera pressionou a pulseira, abrindo a estat?stica completa.

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Ela sorriu de lado. At a manh? agora come?ava com o ?ndice. Antes, as pessoas desejavam-se bom dia. Agora desejavam "?ndice verde"  era considerado mais sincero. Vera pressionou a pulseira, abrindo a estat?stica completa.

Atividade f?sica: baixa (trabalho sedentrio)

 :  ( )

Estabilidade psicolgica: normal

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Infra??es: 0

: 0

Liga??es sociais: 14 contactos nos ?ltimos 7 dias (dentro dos limites normais)

 : 14    7  (  )

Previs?o: estvelmente verde

:  

Atividade f?sica: baixa (trabalho sedentrio) Estabilidade psicolgica: normal Infra??es: 0 Liga??es sociais: 14 contactos nos ?ltimos 7 dias (dentro dos limites normais) Previs?o: estvelmente verde

Recomenda??o: andar mais.

:  .

 Obrigada, m?ezinha  resmungou Vera e foi para a casa de banho.

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O espelho mostrou-lhe uma mulher de trinta e dois anos sem maquilhagem,

com olheiras escuras e um cansa?o que nem a pulseira conseguia esconder.

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Vera lavou o rosto, escovou os dentes, fez uma tran?a.

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Tudo mecanicamente.

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Recomenda??o: andar mais.  Obrigada, m?ezinha  resmungou Vera e foi para a casa de banho. O espelho mostrou-lhe uma mulher de trinta e dois anos sem maquilhagem, com olheiras escuras e um cansa?o que nem a pulseira conseguia esconder. Vera lavou o rosto, escovou os dentes, fez uma tran?a. Tudo mecanicamente.

Os seus pensamentos estavam longe.

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"Hoje preciso enviar o relatrio do projeto 'Astra'.

Recolher a encomenda do mercado online. Comprar trigo sarraceno. Ligar ? m?e."

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Nada de invulgar.

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A mesma quarta-feira que todas as anteriores.

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Os seus pensamentos estavam longe. "Hoje preciso enviar o relatrio do projeto 'Astra'. Recolher a encomenda do mercado online. Comprar trigo sarraceno. Ligar ? m?e." Nada de invulgar. A mesma quarta-feira que todas as anteriores.

A cozinha cheirava a caf e a sopa do dia anterior.

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Vera ligou o bule (inteligente, ligado ao "Identificador" 

   (,    

ele registava automaticamente o seu regime de bebida e transmitia os dados para a rede comum).

           ).

Enquanto a gua fervia, ela abriu o frigor?fico.

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Dois ovos.

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Um frasco meio vazio de pasta de tomate.

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A cozinha cheirava a caf e a sopa do dia anterior. Vera ligou o bule (inteligente, ligado ao "Identificador"  ele registava automaticamente o seu regime de bebida e transmitia os dados para a rede comum). Enquanto a gua fervia, ela abriu o frigor?fico. Dois ovos. Um frasco meio vazio de pasta de tomate.

Queijo bolorento.

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  preciso viver melhor  disse Vera ao frigor?fico.

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O frigor?fico n?o respondeu.

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Ele n?o era nada inteligente  Vera comprara deliberadamente o modelo mais barato sem internet.

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Uma ilha de liberdade analgica no meio do inferno digital.

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Queijo bolorento.   preciso viver melhor  disse Vera ao frigor?fico. O frigor?fico n?o respondeu. Ele n?o era nada inteligente  Vera comprara deliberadamente o modelo mais barato sem internet. Uma ilha de liberdade analgica no meio do inferno digital.

Ao pequeno-almo?o  ovos estrelados e p?o preto.

      .

Vera comeu de p, olhando pela janela.

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No ptio, uma m?e passeava o seu filho.

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A crian?a usava cal?as inteligentes  elas rastreavam cada passo, cada queda, cada grito.

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O sistema sabia mais sobre a crian?a do que a sua prpria m?e.

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Ao pequeno-almo?o  ovos estrelados e p?o preto. Vera comeu de p, olhando pela janela. No ptio, uma m?e passeava o seu filho. A crian?a usava cal?as inteligentes  elas rastreavam cada passo, cada queda, cada grito. O sistema sabia mais sobre a crian?a do que a sua prpria m?e.

"Quando eu era pequena  pensou Vera  os meus pais simplesmente olhavam para mim. Isso era suficiente."

   ,   ,      .   .

Ela atirou os restos de comida para o balde do lixo e olhou para o relgio. 7h58.

         . 7:58.

At ao in?cio do trabalho  meia hora.

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N?o havia necessidade de se apressar.

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Ela trabalhava a partir de casa.

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"Quando eu era pequena  pensou Vera  os meus pais simplesmente olhavam para mim. Isso era suficiente." Ela atirou os restos de comida para o balde do lixo e olhou para o relgio. 7h58. At ao in?cio do trabalho  meia hora. N?o havia necessidade de se apressar. Ela trabalhava a partir de casa.




 3


?s 8h30, Vera sentou-se ao computador.

 8:30    .

Dois monitores.

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Um teclado mec?nico (Vera odiava os tteis  demasiados erros).

  (      ).

Um copo de gua.

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Um bloco de notas e uma caneta  para anota??es que n?o deviam ir para a nuvem.

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?s 8h30, Vera sentou-se ao computador. Dois monitores. Um teclado mec?nico (Vera odiava os tteis  demasiados erros). Um copo de gua. Um bloco de notas e uma caneta  para anota??es que n?o deviam ir para a nuvem.

No primeiro monitor  o ambiente de trabalho da freelancer: correio, mensageiro, fila de tarefas.

      : , ,  .

No segundo  o perfil pessoal no "Identificador".

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Vera deteve o olhar no perfil mais tempo que o habitual.

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Vera Sergeyevna Sokolova

  

Ano de nascimento: 1998

 : 1998

No primeiro monitor  o ambiente de trabalho da freelancer: correio, mensageiro, fila de tarefas. No segundo  o perfil pessoal no "Identificador". Vera deteve o olhar no perfil mais tempo que o habitual. Vera Sergeyevna Sokolova Ano de nascimento: 1998

?ndice: VERDE (0,02%)

:  (0,02%)

Categoria: amea?a insignificante

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Men??es especiais: nenhuma

 : 

Men??es especiais: nenhuma.

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Vera sabia que isto n?o era verdade.

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?ndice: VERDE (0,02%) Categoria: amea?a insignificante Men??es especiais: nenhuma Men??es especiais: nenhuma. Vera sabia que isto n?o era verdade.

As men??es especiais existiam.

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Simplesmente foram escondidas.

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Ela lembrava-se daquele dia, quatro anos atrs.

      .

O ?ltimo dia no escritrio da "KiberPro"  a empresa que ganhou a licita??o para o desenvolvimento do n?cleo do "Identificador".

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Vera era uma das vinte engenheiras reunidas numa sala branca sem janelas.

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As men??es especiais existiam. Simplesmente foram escondidas. Ela lembrava-se daquele dia, quatro anos atrs. O ?ltimo dia no escritrio da "KiberPro"  a empresa que ganhou a licita??o para o desenvolvimento do n?cleo do "Identificador". Vera era uma das vinte engenheiras reunidas numa sala branca sem janelas.

"Estamos a criar seguran?a"  disse ent?o Pavel Sergeyevitch, o seu supervisor 

  ,     ,  . 

"Estamos a criar um futuro sem crimes."

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Vera acreditou-lhe.

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No in?cio.

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Depois come?aram as discuss?es.

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Vera perguntou: "E se o algoritmo se enganar?"

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"Estamos a criar seguran?a"  disse ent?o Pavel Sergeyevitch, o seu supervisor  "Estamos a criar um futuro sem crimes." Vera acreditou-lhe. No in?cio. Depois come?aram as discuss?es. Vera perguntou: "E se o algoritmo se enganar?"

Responderam-lhe: "A probabilidade de erro  de 0,03%. Dentro da margem de erro estat?stico."

 :    0,03%.    .

Ela perguntou: "E o que acontecer a esses 0,03%?"

 :      0,03%?.

Sil?ncio.

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Um m?s depois, ela foi despedida.

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Oficialmente  "por divulga??o de segredo comercial".

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Extraoficialmente  por fazer demasiadas perguntas.

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Responderam-lhe: "A probabilidade de erro  de 0,03%. Dentro da margem de erro estat?stico." Ela perguntou: "E o que acontecer a esses 0,03%?" Sil?ncio. Um m?s depois, ela foi despedida. Oficialmente  "por divulga??o de segredo comercial". Extraoficialmente  por fazer demasiadas perguntas.

Vera pestanejou.

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O ecr? do perfil olhava para ela com um olho verde.

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Ela fechou o separador.

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O trabalho avan?ava lentamente.

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Vera estava a finalizar a interface para uma loja de roupa infantil  uma tarefa aborrecida mas estvel.

       

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Vera pestanejou. O ecr? do perfil olhava para ela com um olho verde. Ela fechou o separador. O trabalho avan?ava lentamente. Vera estava a finalizar a interface para uma loja de roupa infantil  uma tarefa aborrecida mas estvel.

Pelo terceiro m?s consecutivo, ela aceitava tudo o que lhe ofereciam.

     ,  .

O dinheiro era necessrio.

  .

Aps o despedimento da "KiberPro", a sua lista negra crescia mais rpido que o seu curr?culo.

        ,  .

?s 11h32, chegou uma mensagem da m?e.

 11:32    .

M?E: Vera, lembras-te que hoje tens consulta mdica ?s 15h00?

: ,          15:00?

Pelo terceiro m?s consecutivo, ela aceitava tudo o que lhe ofereciam. O dinheiro era necessrio. Aps o despedimento da "KiberPro", a sua lista negra crescia mais rpido que o seu curr?culo. ?s 11h32, chegou uma mensagem da m?e. M?E: Vera, lembras-te que hoje tens consulta mdica ?s 15h00? 

VERA: A que mdico?

:  ?

M?E: Endocrinologista. Marquei para ti h duas semanas. Tu tens a tireoide.

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VERA: M?e, eu n?o tenho tireoide. Quer dizer, n?o tenho problemas de tireoide.

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M?E: Toda a gente tem problemas, filha. Marquei, n?o recuses. Paga, boa. Vera, ests demasiado magra.

:    , .  ,  . , . ,   .

Vera quis responder que n?o era a tireoide, mas simplesmente a falta de dinheiro para comida normal.

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VERA: A que mdico? M?E: Endocrinologista. Marquei para ti h duas semanas. Tu tens a tireoide. VERA: M?e, eu n?o tenho tireoide. Quer dizer, n?o tenho problemas de tireoide. M?E: Toda a gente tem problemas, filha. Marquei, n?o recuses. Paga, boa. Vera, ests demasiado magra. Vera quis responder que n?o era a tireoide, mas simplesmente a falta de dinheiro para comida normal.

Mas n?o o fez.

  .

VERA: Est bem, m?e. Eu vou.

: , . .

Ela adicionou ao calendrio um lembrete: "Mdico. N?o esquecer de sorrir."

    : .   .

?s 12h45  outra mensagem.

 12:45    .

Desta vez de Vika, a ?nica amiga que lhe restava desde os tempos da universidade.

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VIKA: Hoje ?s 19h00 encontro na "Estufa". H um novo barista, dizem que faz caf com cardamomo. Vamos?

:   19:00   .   , ,    . ?

Mas n?o o fez. VERA: Est bem, m?e. Eu vou. Ela adicionou ao calendrio um lembrete: "Mdico. N?o esquecer de sorrir". ?s 12h45  outra mensagem. Desta vez de Vika, a ?nica amiga que lhe restava desde os tempos da universidade. VIKA: Hoje ?s 19h00 encontro na "Estufa". H um novo barista, dizem que faz caf com cardamomo. Vamos? 

VERA: N?o sei. Tenho que entregar o relatrio amanh?.

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VIKA: Vera, j h um m?s que n?o sais a nenhum lado. O teu ?ndice social vai cair se continuares assim.

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VERA: Eu tenho verde, est tudo bem.

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VIKA: Verde n?o significa viva. Vem. Por favor.

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Vera suspirou.

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Vika tinha raz?o  ela quase nunca sa?a de casa.

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VERA: N?o sei. Tenho que entregar o relatrio amanh?. VIKA: Vera, j h um m?s que n?o sais a nenhum lado. O teu ?ndice social vai cair se continuares assim. VERA: Eu tenho verde, est tudo bem. VIKA: Verde n?o significa viva. Vem. Por favor. Vera suspirou. Vika tinha raz?o  ela quase nunca sa?a de casa.

N?o porque tivesse medo.

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Simplesmente n?o lhe apetecia.

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O mundo l fora tinha-se tornado demasiado... transparente.

    ... .

Demasiado observvel.

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Cada passo era registado.

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Cada compra era analisada.

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N?o porque tivesse medo. Simplesmente n?o lhe apetecia. O mundo l fora tinha-se tornado demasiado... transparente. Demasiado observvel. Cada passo era registado. Cada compra era analisada.

Cada conversa era avaliada.

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"Eu n?o sou paranoica  pensou Vera  eu simplesmente sei como isto funciona por dentro."

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VERA: Est bem. Eu vou.

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Vika enviou um emoticon  um cora??o.

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Vera voltou ao trabalho.

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Cada conversa era avaliada. "Eu n?o sou paranoica  pensou Vera  eu simplesmente sei como isto funciona por dentro." VERA: Est bem. Eu vou. Vika enviou um emoticon  um cora??o. Vera voltou ao trabalho.




 4


?s 14h55, Vera preparou-se para ir ao mdico.

 14:55    .

Ela vestiu jeans, uma camisola, um casaco.

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A pulseira no seu pulso brilhava fracamente.

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No relgio  14h57.

   14:57.

O "Identificador" j sabia que ela sa?a: a geolocaliza??o ligou-se automaticamente quando Vera abriu a porta.

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?s 14h55, Vera preparou-se para ir ao mdico. Ela vestiu jeans, uma camisola, um casaco. A pulseira no seu pulso brilhava fracamente. No relgio  14h57. O "Identificador" j sabia que ela sa?a: a geolocaliza??o ligou-se automaticamente quando Vera abriu a porta.

No elevador, ela encontrou a vizinha  uma mulher idosa com um carrinho de compras de rodinhas.

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VIZINHA:  Ol, querida. H muito tempo que n?o a via.

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VERA:  Trabalho a partir de casa.

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VIZINHA:  Ah, que sorte. A minha filha tambm costumava trabalhar em casa. Depois o ?ndice dela caiu, ela foi para o escritrio. Diz que assim  mais seguro.

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O elevador parou.

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No elevador, ela encontrou a vizinha  uma mulher idosa com um carrinho de compras de rodinhas. VIZINHA:  Ol, querida. H muito tempo que n?o a via. VERA:  Trabalho a partir de casa. VIZINHA:  Ah, que sorte. A minha filha tambm costumava trabalhar em casa. Depois o ?ndice dela caiu, ela foi para o escritrio. Diz que assim  mais seguro. O elevador parou.

Vera saiu.

 .

L fora, estava cinzento e h?mido.

     .

O vento de novembro empurrava folhas molhadas pelo asfalto.

      .

Poucos transeuntes  principalmente reformados e estafetas.

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Todos os outros estavam sentados em casa ou nos escritrios, transmitindo obedientemente os seus dados.

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Vera saiu. L fora, estava cinzento e h?mido. O vento de novembro empurrava folhas molhadas pelo asfalto. Poucos transeuntes  principalmente reformados e estafetas. Todos os outros estavam sentados em casa ou nos escritrios, transmitindo obedientemente os seus dados.

Vera colocou os auscultadores, ligou o ru?do branco.

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Esta era a sua maneira de se desconectar do mundo  encher a cabe?a com um som neutro, no qual n?o havia palavras, n?o havia significado, n?o havia vigil?ncia.

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O ru?do branco n?o  registado pelo "Identificador". Vera tinha verificado.

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Ela caminhou rapidamente em dire??o ? policl?nica.

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15 minutos  a dist?ncia habitual.

15    .

Passando o supermercado, passando a paragem, passando o parque infantil onde os baloi?os balan?avam sozinhos  o vento brincava com eles como uma crian?a abandonada.

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A policl?nica recebeu-a com cheiro a lix?via e medicamentos.

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Vera colocou os auscultadores, ligou o ru?do branco. Esta era a sua maneira de se desconectar do mundo  encher a cabe?a com um som neutro, no qual n?o havia palavras, n?o havia significado, n?o havia vigil?ncia. O ru?do branco n?o  registado pelo "Identificador". Vera tinha verificado. Ela caminhou rapidamente em dire??o ? policl?nica. 15 minutos  a dist?ncia habitual. Passando o supermercado, passando a paragem, passando o parque infantil onde os baloi?os balan?avam sozinhos  o vento brincava com eles como uma crian?a abandonada. A policl?nica recebeu-a com cheiro a lix?via e medicamentos.




 5


 Vera Sokolova?  a mdica revelou-se uma mulher jovem com um crach "Elena Vladimirovna, endocrinologista".  Entre, tire o casaco.

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Vera tirou o casaco, sentou-se na maca.

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 O que a preocupa?

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 Nada. A minha m?e marcou.

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Elena Vladimirovna assentiu com compreens?o.

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 Vera Sokolova?  a mdica revelou-se uma mulher jovem com um crach "Elena Vladimirovna, endocrinologista".  Entre, tire o casaco. Vera tirou o casaco, sentou-se na maca.  O que a preocupa?  Nada. A minha m?e marcou. Elena Vladimirovna assentiu com compreens?o.

A maioria dos seus pacientes era assim  marcados pelas m?es.

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 Vamos ver. Levante a manga, por favor.

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A mdica pegou-lhe no pulso, verificando o pulso.

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Depois olhou para a pulseira.

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 O "Identificador" mostra um cortisol elevado em si durante tr?s meses. Stress. Crnico. Dorme o suficiente?

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A maioria dos seus pacientes era assim  marcados pelas m?es.  Vamos ver. Levante a manga, por favor. A mdica pegou-lhe no pulso, verificando o pulso. Depois olhou para a pulseira.  O "Identificador" mostra um cortisol elevado em si durante tr?s meses. Stress. Crnico. Dorme o suficiente?

VERA:  Sete horas.

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ELENA VLADIMIROVNA:  Insuficiente. Para a sua idade e atividade  precisa de oito.

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Ela come?ou a passar um aparelho sobre o pesco?o de Vera.

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 H um pequeno endurecimento. Faremos uma ecografia, mas no geral  nada cr?tico. Vou receitar vitaminas e um leve calmante. Os dados ir?o para a farmcia automaticamente.

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VERA:  Sete horas. ELENA VLADIMIROVNA:  Insuficiente. Para a sua idade e atividade  precisa de oito. Ela come?ou a passar um aparelho sobre o pesco?o de Vera.  H um pequeno endurecimento. Faremos uma ecografia, mas no geral  nada cr?tico. Vou receitar vitaminas e um leve calmante. Os dados ir?o para a farmcia automaticamente.

VERA:  E se eu n?o quiser que eles v?o?

:      ,  ?

A mdica levantou os olhos.

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Por um segundo, algo apareceu neles  surpresa? compreens?o? medo?

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  obrigatrio  disse ela secamente  Por lei.

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Vera assentiu.

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VERA:  E se eu n?o quiser que eles v?o? A mdica levantou os olhos. Por um segundo, algo apareceu neles  surpresa? compreens?o? medo?   obrigatrio  disse ela secamente  Por lei. Vera assentiu.

A mdica digitava algo no computador.

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No ecr? surgiu o perfil de Vera  um ?cone verde, uma fotografia, uma lista de diagnsticos.

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Tudo como de costume.

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 Tome  Elena Vladimirovna estendeu-lhe uma receita em papel. As receitas em papel eram agora dadas apenas a reformados e ?queles com "erro de liga??o".

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 Obrigada.

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A mdica digitava algo no computador. No ecr? surgiu o perfil de Vera  um ?cone verde, uma fotografia, uma lista de diagnsticos. Tudo como de costume.  Tome  Elena Vladimirovna estendeu-lhe uma receita em papel. As receitas em papel eram agora dadas apenas a reformados e ?queles com "erro de liga??o".  Obrigada.

Vera levantou-se.

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 Vera Sergeyevna  a mdica chamou-a j na porta  Tem raz?o. Quanto a n?o querer que os dados v?o embora. Tem raz?o.

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Sil?ncio. Tr?s segundos.

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 Adeus  disse Vera e saiu.

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Vera levantou-se.  Vera Sergeyevna  a mdica chamou-a j na porta  Tem raz?o. Quanto a n?o querer que os dados v?o embora. Tem raz?o. Sil?ncio. Tr?s segundos.  Adeus  disse Vera e saiu.

L fora, Vera tirou o telemvel.

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A pulseira piscou.

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No ecr?  uma notifica??o do "Identificador":

     :

"A sua visita ? endocrinologista est conclu?da. Recomenda??es: vitamina D, magnsio B6, rotina de sono. Dados adicionados ao seu processo mdico."

    . Recomenda??es:  D,  6,  .      

L fora, Vera tirou o telemvel. A pulseira piscou. No ecr?  uma notifica??o do "Identificador": "A sua visita ? endocrinologista est conclu?da. Recomenda??es: vitamina D, magnsio B6, rotina de sono. Dados adicionados ao seu processo mdico."

Vera quis desligar a notifica??o, mas mudou de ideias.




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   ,     (https://www.litres.ru/book/taisiya-litvinova/triller-identifikator-s-perevodom-na-portugalskiy-74004658/)  .

      Visa, MasterCard, Maestro,    ,   ,     ,  PayPal, WebMoney, ., QIWI ,       .


