- -
- 100%
- +
— Tenho que arranjar uma gaja. Vou fodendo quando posso, sabes como é, mas namoradas a sério já passou algum tempo. Mais de dois anos, para aí. A última foi a Laura. Laura Filipe, tu conheceste-a, andava na nossa turma. Passámos bons tempos. A família dela é rica para caralho. Toda pipi e tal. Viviam numa vivenda grande e o quarto dela era mesmo no topo por isso ficávamos sempre à vontade. Mas melhor era quando os pais dela não estavam lá. Aí fodíamos em todas as divisões da casa. Até na piscina, no verão. Bons tempos, bons tempos. Mas os pais não me gramavam. A mãe especialmente, e olha que eu sempre fui simpático. Até lhe trazia flores de vez em quando. Está bem que as apanhava no quintal à porta de casa, mas acho que ela não sabia isso. — Levou um dedo à boca, para tentar tirar qualquer coisa dos dentes. — Aposto que até saltou quando soube que a Laura e eu tínhamos acabado, raio da velha. Sabes que ela chegou a inscrever a Laura num daqueles programas de encontros? E nós ainda andávamos!
Óscar soergueu o sobrolho.
— Isso é fodido.
— Então, não é? — Ivo bufou pelo nariz. — Filha da puta. Se não fosse ela e o marido, eu e a Laura ainda estávamos juntos. Eles é que lhe fizeram a cabeça, sabes? Era só pressão. Só porque eu não sou um daqueles tipos todos queques que eles gostam.
— Mas vocês ainda se dão?
— Quem? Eu e a mãe da Laura?
Óscar estalou a língua, complacente.
— Tu e a Laura.
— Ah, sim — disse Ivo. — Não sabias? Nós não acabámos por nada de dramático. Ainda somos amigos. Podes imaginar o sofrimento da mãe dela quando ainda me vê a aparecer lá em casa. A velha pensava que se tinha livrado de mim. — Outro sorriso. — Pensasse melhor.
Óscar massajava a cabeça do Fúria.
— Gosto de uma música que se chama Laura.
— A sério? De quem é?
— Bat For Lashes.
— Não conheço — admitiu Ivo.
— É fixe — disse Óscar.
— A ver se digo à Laura para a ir procurar. Ah! — Algo no horizonte próximo lhe captara a atenção. — São as irmãs.
No passeio oposto ao deles apareceram Gisela e Amara.
— Bom dia, meninos! — Exclamou Gisela, a mais alta e a mais sorridente.
— Meninos? — Gritou Ivo para o outro lado da rua. — Aqui só há homens!
— Devem estar todos escondidos atrás de ti — respondeu Amara, que levantava a grade da loja para a abrir. Vestia um casaco de ganga azul sobre uma camisola de gola alta preta.
Ivo sacudiu uma mão na sua direção, sarcástico.
— Mas isto é que são horas para abrir o estaminé?
Gisela atravessou a estrada para cumprimentar o Fúria. Usava calças de fato de treino e um top branco, sem mangas. Não interessava que ainda estivessem no fresco início de primavera. Gisela nunca tinha frio.
— É sábado — disse, bem-disposta. — Abrimos mais tarde porque há menos clientes.
— Menos clientes do que os nenhuns habituais que temos no resto da semana — acrescentou Amara cinicamente, surgindo atrás da amiga. As tranças negras caíam-lhe até quase ao fim das costas e as pestanas longas escondiam olhos castanhos. — O que é que fazes aqui tão cedo, seja como for, Ivo? Gostas assim tanto de nos ver, é?
— A Gisela até gosto, agora tu, nem por isso.
Gisela riu-se e Amara sacudiu as tranças com uma mão.
— Já que estás tão empenhado em acordar cedo podias ajudar o Óscar e o Mário aí na loja. Assim não era só chatear o juízo de todos…
— Eu contribuo com a minha companhia e comentário social!
Amara não conteve o sorriso. Abanou a cabeça e foi para dentro da loja. Gisela, por outro lado, continuou a fazer festas ao Fúria. Tinha cabelos negros, tal como Amara, mas alisados até aos ombros. As duas não eram irmãs, apesar da insistência em jeito de brincadeira de Ivo e do que pensava grande parte da vizinhança, em jeito de acharem que as duas raparigas pretas deviam ser família. Gisela nasceu ali na vila, mas Amara só chegou aos cinco anos, quando os seus pais, considerados “exóticos” por muitos, decidiram mudar-se para ali.
— Ao Ivo já nem pergunto, mas estou a estranhar estares cá tão cedo, Óscar — disse Gisela, enquanto Fúria lhe mordiscava a ponta dos dedos. — Hoje não estavas de folga?
— Tive de sair e ainda não me apeteceu voltar para casa.
O sorriso de Gisela cresceu visivelmente.
— Fizeste bem. — Voltou-se de novo para o cão. — E tu, menino, estás bom ou quê?
— Estava melhor se se dignasse a cagar — respondeu Ivo, secamente. Gisela segurou a cabeça de Fúria entre as mãos, preocupada.
— Mas o que se passa?
— Está com prisão de ventre. Trouxe-o para ver se ele faz alguma coisa, senão vou mesmo de ter de o levar ao veterinário, coisa que não queria.
— Coitadinho — disse Gisela. — Tu vais fazer cocó, não vais, Fúria? Sei que vais. És um menino lindo. — Amara regressou do interior da loja-garagem para lhe dizer que tinham de trocar as velas da montra, mas nenhuma das duas mostrou qualquer intenção de retomar ao serviço. Não tardou para que também o Mário se juntasse a eles, o seu jornal do dia enrolado debaixo do braço.
— Alguma vez ouviste falar num culto de viajantes do tempo? — Dirigia-se a Gisela.
— O quê? — Amara procurou a resposta no rosto de Óscar, que ficou algo orgulhoso por ser visto como o sensato entre os rapazes.
— O Mário acha piada à ideia de um culto e o Ivo está convencido que a velha da roulotte veio do futuro. O Albano convenceu-o, digamos.
— O Albano que está sempre mocado?
— O próprio.
— Está bem.
— Mas de que velha é que estão a falar? — Perguntou a Gisela. Amara tocou-lhe no braço com a ponta do dedo.
— Conheces mais alguém que viva numa roulotte? — Gisela encolheu os ombros e Amara continuou: — Mas ela não é nenhuma viajante do tempo. E eu nem posso crer que acabei de dizer isto. Acho que é tipo vidente, lê cartas e sinas e essas coisas todas. Também não posso crer que estou a dizer isto, mas é o que é.
Gisela riu-se com a língua de fora.
— Não sejas mazinha. Já te disse que temos de ter a mente aberta a tudo. Caso contrário, pensa nas coisas maravilhosas que podes perder!
Amara revirou os olhos.
— Tens razão, ainda perco clientes. Ah, espera…
— Devias aprender com a tua irmã, ó Amara — disse Ivo. Gisela riu como sempre fazia, mas Amara não. — Pois a mim ninguém me tira a ideia de que a velha vem do futuro — continuou ele. — Eu nunca lhe falei, está certo, mas os nossos olhos cruzaram-se uma vez e foi muita intenso. Ali há qualquer coisa.
— Se calhar apaixonaste-te — disse Mário.
— Fogo, estou desesperado, mas não tanto! Já agora. Gisela. Amara. Hoje temos aquilo. Não se esqueceram, pois não?
— O highlight do nosso dia — disse Amara. — Como poderia eu esquecer.
— Aposto que nem dormiste — disse Óscar, em tom de brincadeira.
— Adivinhaste.
Gisela pôs um braço à volta dos ombros da amiga.
— Eu também não me esqueci e mal posso esperar — disse, entusiasmada.
— Também não é para tanto — disse Amara. Ivo soltou um risinho.
— Estás com muito mau humor para quem saiu da cama quase ao meio dia, ó Amara.
— Nem sequer são onze da manhã, o que quer dizer que é cedo de mais para te aturar — disse a rapariga antes virar as costas. — Vem lá ajudar-me a tratar das velas, Gisela.
Gisela acenou a mão para os rapazes.
— Até já.
Quase ao mesmo tempo surgia alguém na loja do Manuel Amílcar para comprar tabaco e Mário também regressou para dentro.
Ivo continuava a insistir com o cão:
— Vamos lá Fúria, toca a cagar!
Óscar voltou a vê-la, na sua mente e na sua imaginação, com uns olhos verdes muito grandes e inquisidores. Lembrava-se de a ver na escola e até de se cruzar com ela nas ruas da vila, mas nunca haviam trocado duas palavras. E logo naquela manhã. Não contava conhecer pessoas novas naquele que era praticamente o seu último dia na Terra. Apesar disso, talvez porque era a única pessoa no mundo que sabia o seu segredo, sentia-se quase triste por saber que nunca mais a voltaria a ver.
CAPÍTULO 3
Na rádio da loja passava um anúncio a um laxante.
Ao balcão, um homem gordo com cara de melão e cabeleira e barba amarela-acinzentada, conversava com Mário, que tinha deixado o jornal que estava a ler aberto nas páginas das prostitutas.
— É como eu te disse no outro dia, Mário, se queres fazer dinheiro tens de vender fruta!
— Eu já estou farto de dizer isso ao patrão, ele não me ouve.
— Pois, os patrões são complicados, por vezes. Eu próprio fui obrigado a discutir com vários dos meus. Entende, todo o patrão tem complexo e eles não gostam quando nós, o trabalhador pequeno, tem ideias porque fere-lhes esse… Enfim, fere-lhes esse complexo, compreendes?
— Sim — disse Mário, segurando no queixo. — Sim, acho que sim.
O homem gordo abriu os braços, como se tivesse dito a coisa mais inteligente de sempre.
— Então, prontos! A falar é que a gente conversa. Ou melhor, que a gente se entende. Agora o que tu tens a fazer, meu amigo, é convencer o senhor Amílcar disto. A fruta é o futuro, amigo Mário, não penses o contrário. Agora passa-me aí um maço, se fazes favor.
Óscar passou atrás do homem gordo e disse ao Mário para colocar na conta de Ivo as duas cervejas que levava lá para fora. Saiu da loja, entregou uma das cervejas a Ivo e voltou a sentar-se no seu poiso no passeio, com os pés na estrada.
— Disseste-lhe para pôr na minha conta?
Óscar disse que sim e provou a cerveja.
— Escuta, Ivo… Tu lembras-te da Caetana?
— Quem?
— Uma rapariga que andou na nossa escola. Chamava-se Caetana. Chama-se.
— Do nosso ano?
— Sim, mas de uma turma diferente — disse Óscar. — Aquela que estava quase sempre em salas ao lado das nossas.
— Sim, sim, sim. Era a turma do Luís, o que foi jogar badminton, e da Raquel, que se tornou modelo.
— Exato, essa turma.
— A Caetana… Ah, claro! Também com esse nome nem sei como é que não me estava a lembrar. Era aquela rapariga muito magra, não é? Quase esquelética, mesmo. Aliás, acho que a Laura uma vez disse-me que ela era anoréxica ou bulímica ou qualquer coisa assim. E que eu saiba nem era modelo como a Raquel.
— A Raquel também era bulímica?
— Não sei. Também foi a Laura que me disse, mas a Laura também é um bocadinho má língua, por isso não se pode levar tudo o que ela diz muito a sério. Não lhe digas que eu disse isto senão ela ainda me bate. É verdade, sabias que a Raquel é lésbica?
— Não — disse Óscar.
— Esta não foi a Laura que me disse, portanto deve ser verdade. Acho que ela anda com uma outra modelo agora, uma que veio do leste. O Tomás mostrou-me uma foto das duas. Lembraste como a Raquel era boa, certo? Pois a namorada dela ainda é melhor. Por acaso não sei se já deixam os homossexuais ter filhos ou não. Espero que sim. Eu oferecia-me logo para ajudá-las, se é que me entendes.
— Elas provavelmente preferiam adotar — disse Óscar. — Sendo modelos e tudo mais.
— Ah, pois, és capaz de ter razão. A não ser que haja modelos grávidas. Tipo coleção para grávidas, entendes? Olha que não era uma má ideia. Era capaz de dar dinheiro. Achas que alguém já teve essa ideia?
— Não sei.
— Eu também não, mas às vezes parece que as boas ideias já foram todas tidas por alguém. Penso nisso, às vezes, quando estou a pensar no que fazer. Tu sabes como eu sou. Vou fazendo uns biscates aqui e ali. Obras, entregar merdas. Um bocadinho de tudo, porque gosto de experimentar muita coisa. Vai-se conhecendo gente, vai-se conhecendo gajas boas. É fixe e dei-me bem em quase todo o lado. Tudo menos aqui, é claro.
Óscar sorriu.
— Foi quanto tempo que duraste? Um dia?
— Meio, mas o vosso patrão também é fodido. A dizer que eu agredi um cliente, coisa que nunca aconteceu.
— Mas agarraste-o — lembrou-o Óscar. — E ele fez queixa.
— Estava a recriar a cena em que a Arwen está a enfrentar os Nazgûl na água — explicou-se Ivo. — Que culpa é que eu tenho que o cliente e o senhor Amílcar não apreciem clássicos? Eles é que deviam ser despedidos só por isso.
— Sabias que a Liv Tyler ainda sabe dizer umas quantas coisas em élfico?
— Sou um grande fã, Óscar, é claro que sei — respondeu Ivo. — Mas como eu estava a dizer… Já tentei muitas coisas, mas nenhuma delas foi assim aquela coisa, como é que eu hei de dizer. Nenhuma foi a minha cena.
— Mas tu já tens a tua cena, certo? — Perguntou Óscar. — O rap.
— Sim, é verdade — disse Ivo. — O rap é a minha paixão número um. Tupac Shakur, N.W.A, Nas, Snoop, Biggie. Papo isso tudo. Não sou de guerras entre coasts, entendes? Mas tipo, não sou daqueles que só ouve rap e cospe em tudo o resto. Não. O rap para mim é o top do top, mas de uma maneira geral, gosto um pouco de tudo. Pop, rock, reggae, metal assim daquele pesado, europeu, baladas lamechas. Há muita merda boa por aí.
— No trabalho temos o rádio sempre ligado, portanto o que se ouve mais é mainstream.
— Não sou muito de rádio, sinceramente — disse Ivo. — Nunca passam rap.
Óscar assentiu.
— Normalmente é só pop. Pop mainstream. Antes não gostava muito, mas agora já me habituei. Mesmo assim continuo a preferir os géneros que eu já gostava. Música alternativa, eletrónica, sintética, se estivermos numa de rótulos. Mas às vezes é difícil.
— O que é?
— Como tu disseste, há muita merda boa por aí, mas às vezes é difícil encontrá-la. Há dias em que dou por mim e passei horas a ouvir as mesmas duas ou três músicas. Porque gosto delas, claro, mas também, sei lá… Suponho que é porque é difícil descobrir outra coisa quando estás tão apegado àquilo que já conheces.
Ivo massajou os pelos do queixo.
— Isso é tão profundo como ali o meu cão que não caga.
Óscar riu-se e olhou para o Fúria, que estava deitado no meio da estrada.
— Não estava a tentar ser profundo.
Ivo levou a cerveja à boca.
— Engana-me que eu gosto. Mas adiante. Enquanto a minha carreira de rapper não lança tenho de fazer qualquer coisa, certo? Houve aí uma altura em que eu também pensei escrever um livro, porque, no fundo, é como rap, contamos uma história. Mas depois desisti. Não gosto lá muito de livros.
— Eu também não — admitiu Óscar.
— Nestes últimos tempos tenho andado a pensar em fazer um filme. É assim, a ideia nem é nova e eu até já tenho uns guiões pequenos. Também tive de escrever, mas sei lá, é diferente. Até os cheguei a mostrar a um perito que mora na vila ao lado. Ele já fez filmes e ainda trabalha nesses meios. Bem, fez documentários, que normalmente não são muito interessantes, mas pronto, são filmes à mesma, acho eu.
— Diz que são.
— Mas o tal gajo disse que o meu trabalho não era grande coisa, portanto eu pus de lado a hipótese. Mas ultimamente ando a pensar muito. Ando a magicar ideias. E vamos lá ser sinceros, o que é que os grandes fazedores de filmes e produtores gostam mesmo?
Óscar coçou o nariz.
— Snifar coca?
— Remakes! — Exclamou Ivo. — Eles querem é remakes. E é por isso que eu estou a pensar numa nova versão do Titanic. Titanic 2097. Uma ópera espacial. A história seria parecida. O tipo pobre, a tipa rica. Mas seria no espaço e o Titanic era uma nave espacial e não um barco. Alerta spoiler: no fim, a nave acertava num cometa ou qualquer coisa e, tipo, a cena que protegia os passageiros é destruída e depois não ia haver oxigénio e era tudo dramático para caralho. E lá para o meio estou a planear mencionar nanotecnologia, mas não sei bem onde.
— O que é nanotecnologia? — Perguntou Óscar.
— Não sei, mas os filmes dos super-heróis estão cheios disso e o povo adora! — Óscar fez novo encolher de ombros e bebeu um gole de cerveja.
— Talvez.
— Mas e agora tu, Óscar. Os teus sonhos. Ainda estás a pensar?
— Ainda.
— É difícil — disse Ivo. — Saber-se o que se quer fazer. E às vezes sabe-se, mas as pessoas à nossa volta não nos respeitam por isso. Tipo os meus pais. Acham que eu estou só a perder tempo. Dizem que ando só na brincadeira com o meu rap e os meus guiões. Dizem que eu devia ter ido para a faculdade, estudar, arranjar um emprego bom. A minha mãe então está sempre a dizer que devia ir estudar medicina. Eu, saído de letras. Enfim.
— Os meus pais são parecidos — disse Óscar. — Mas para mim faculdade nunca foi uma opção.
— Digo o mesmo, não é para mim. É verdade, e os teus pais? Continuam lá para a terrinha da tua mãe?
Óscar disse que sim.
— Eles já estão reformados, por isso agora estão só a tomar conta dos meus avós.
— Já sei, já sei — respondeu Ivo. Depois, olhou para o céu azul, praticamente limpo de nuvens e tirou o gorro da cabeça. — Não está lá muito frio hoje. E ainda vai ficar mais quente, segundo vi na televisão. Foda- se… Nem sequer é verão, puta do aquecimento global. — Beberricou a cerveja. — Olha para mim. Um cidadão preocupado com o mundo. Se a nossa stôra de formação cívica me estivesse a ver agora até aplaudia.
— Ela era um bocadinho má.
— Mas era boa, que é o que interessa. Óscar continuou a beber a sua cerveja.
— Se tu o dizes.
Ivo esvaziou a sua garrafa e depois, ao terminá-la, deu um leve safanão no braço de Óscar.
— Então, mas e o que estavas a dizer?
— O quê?
— Estávamos a falar da Caetana. Perguntaste-me se eu me lembrava dela. Isso veio a que propósito?
— Não foi por nada de especial. Vi-a hoje depois de ir comprar os headphones.
— Continua magra?
— Já não me lembro muito bem, foi uma coisa de segundos, mas acho que sim.
— E que mais? Mamas, cresceram? O que é que mudou?
— Sei lá. Está um pouco mais velha do que era quando estava na escola, como nós.
— Foda-se, ficar mais velho é fodido — disse Ivo.
— Pois é — disse Óscar. — A ver se não fico.
Конец ознакомительного фрагмента.
Текст предоставлен ООО «ЛитРес».
Прочитайте эту книгу целиком, купив полную легальную версию на ЛитРес.
Безопасно оплатить книгу можно банковской картой Visa, MasterCard, Maestro, со счета мобильного телефона, с платежного терминала, в салоне МТС или Связной, через PayPal, WebMoney, Яндекс.Деньги, QIWI Кошелек, бонусными картами или другим удобным Вам способом.




