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– Lançar as facturas no sistema informático;
– No final do mês, fazer o inventário de todas as secções e apresentar o mapa com o resumo de consumos.
Explicou ainda que o objectivo, no início, era arrumar o espaço, mantendo os fornecedores habituais sem se preocupar muito com os preços. Mais adiante, quando tudo estivesse organizado passariam para a negociação e se necessário mudariam alguns fornecedores.
Explicou ainda o que Luís iria encontrar: O antigo ecónomo, um rapaz um pouco mais velho do que ele, tinha tido uma proposta aliciante para um Hotel de categoria superior e forçado a saída sem dar o devido tempo à casa. Tinham colocado anúncio para ecónomo, mas os poucos candidatos estavam acima do orçamento. Como o Luís estava disponível para entrada imediata, Dona Teresa propôs começar no dia seguinte. Havia que recuperar o perto de três semanas sem ecónomo.
Luís não estava muito confiante na proposta que lhe acabava de ser feita, porém dois meses a enviar curriculos sem respostas ou propostas concretas estavam a deixá-lo frustrado e, ao fim ao cabo, o importante era começar por algum lado. Colocou o seu sorriso mais confiante e respondeu:
– Sim – apertando a mão a Dona Teresa e agradecendo a oportunidade.
Dona Teresa exclamou sorrindo com aquele ar tranquilizador que só ela tinha:
– O que gosto mesmo é de descobrir jovens talentos e acredito que o Luís seja mais um!
Luis despediu-se e foi para casa a pensar na etapa que iniciaria no dia seguinte. Luís era invadido por um sentimento agridoce. Tinha conseguido trabalho, ainda por cima no ramo hoteleiro que era o que desejava, no entanto, aquela história do Economato deixava-o desconfortável. O desconhecimento do que o esperava deixava-o ansioso e sentia-se inseguro, tinha medo. A confiança resulta de ter coragem para avançar rumo ao desconhecido e isso faltava a Luís.
O Primeiro Dia
Contou aos pais que tinha conseguido o emprego e começava logo no dia seguinte. O pai olhou-o com desconfiança quando lhe disse que ía estar no armazém. Na sua cabeça, via o filho na Recepção a receber os clientes e um dia a ser Chefe de Recepção ou Director. Luís partilhou da sua visão e lamentou que de momento era a única possibilidade que existia. A mãe, sempre carinhosa e compreensiva, encorajou-o e disse-lhe para acreditar nele e que estava no início de uma bela carreira.
Luis praticamente não jantou. A ansiedade tirava-lhe o apetite. Sofreu insónias e acordou imensas vezes durante a noite pelo que acabou de pé uma hora antes do previsto. Saiu com umas calças de ganga e pólo. A Dona Teresa tinha-o precavido para ir com sapatos confortáveis e roupa prática, pois desde a saída do anterior ecónomo o armazém estava bastante desarrumado e era necessário algum trabalho físico de reorganização e limpeza. Não havia farda, apenas uma bata azul para proteger a roupa que traziam de casa.
Luís Alberto chegou ao hotel quinze minutos antes de Dona Teresa e esperou-a na recepção conforme tinha ficado combinado. Cruzava os braços para disfarçar o nervosismo enquanto olhava para a janela procurando algo que o distraísse. Nisto chegou a Dona Teresa com o seu habitual sorriso:
– Bom dia Luis, preparado? Vamos a isto!
Luis seguiu-a e ela foi mostrando os cantos à casa enquanto o ía apresentando aos colaboradores por quem iam passando. Alguns sorriam e davam as boas-vindas, outros mostravam-se mais desconfiados talvez por verem um jovem assumir aquela responsabilidade. Mais tarde veio a descobrir que era hábito fazerem apostas quando chegava um novo elemento sobre o tempo que ele aguentava. Talvez o estivessem a avaliar para dar o melhor palpite.
Passaram pela cozinha onde conheceram o Chef Rui Martins. Sentiu as suas mãos ásperas quando o cumprimentou, não era um cozinheiro “encartado”, tinha trabalhado na construção civil e o gosto de miúdo pela cozinha tinha feito com que concorresse à vaga. Dona Teresa tinha gostado da sua atitude e vontade de desempenhar o ofício: era hábito surpreender tudo e todos com as suas contratações e, no entanto, normalmente tinha sucesso. A Responsável do Restaurante era a senhora Maria Albertina que estava no hotel desde os seus 18 anos. Começara na Copa, depois fora para o Restaurante e Pequenos-Almoços e, entretanto, chegara a Chefe de Sala. As equipas eram pequenas à imagem da dimensão do Hotel.
O Hotel servia para além do pequeno-almoço um almoço modesto com três opções, carne, peixe e vegetariano em serviço buffet. À noite, as refeições eram asseguradas pelo room service com a Carta a ser composta por uma sopa do dia e os pratos serem à base de ultracongelados como lasanhas e bacalhau com natas. Para quem queria algo mais ligeiro tinha uma gama de sanduíches. Tudo isto tinha implicância ao nível da Logística e dos artigos que eram necessários comprar e gerir os stocks para não existirem rupturas que resultam, normalmente, num cliente insatisfeito.
A Governanta tinha o seu gabinete no piso inferior ao lado da pequena Lavandaria e dos armazéns de Economato e Manutenção. A Governanta, Dona Luísa, era mais uma peça da mobília. Gritava imenso com as suas colaboradoras e parecia extremamente exigente: Luis sentiu-se inibido na sua presença. Como iria lidar com todos aqueles egos?
Por fim, chegaram à porta do Economato e cruzaram-se com o seu vizinho, Sr. Joaquim, o responsável pela Manutenção. Utilizava um corte de cabelo à Elvis Presley acompanhado por umas grandes patilhas. Recebeu-o com cordialidade e desejou-lhe sorte. A porta do Economato encontrava-se escancarada e saía uma cozinheira com um saco de farinha e duas latas de grão em passo acelerado que quase chocava com Luís sem o ver. Dona Teresa clamou:
– Lá anda você, Catarina, sempre a correr, tenha calma mulher!
– Isto é sempre assim? – questionou Luís.
– É tudo uma questão de hábito – confirmou Dona Teresa.
Luís estava assustado com a aventura ainda agora estava a começar.
O Mundo do Trabalho
Entraram pela porta do Economato que parecia um labirinto devido à quantidade de material espalhado pelo chão; enlatados, refrigerantes, grades de água cheias e vazias, embalagens de papel higiénico, rolos de cozinha, rolos de película aderente e de alumínio. Duas arcas congeladoras horizontais como as que temos em casa e mais três frigoríficos verticais com frutas, ovos e iogurtes. Havia caixas de cartão vazias, embalagens rasgadas onde faltavam uma lata ou uma garrafa e as prateleiras que existiam estavam apenas metade ocupadas aparentando não ter nenhuma lógica de arrumação. Havia caixas fechadas que não se percebia o que era. Parece que um tsunami tinha passado por ali!
Ao fundo estava plantada uma secretária cheia de papéis onde o computador quase não se via. Num lado, facturas, no outro, folhas soltas escritas à mão. Supostamente era tudo o que era retirado. Outra folha por cima do teclado estava identificada como “Faltas” e, à frente dos artigos, tinha ‘vistos’ com uma cor de esferográfica diferente. Na parede ao lado do computador encontrava-se afixada uma lista com nomes de fornecedores e números de telefone.
D. Teresa relembra a Luís o que tem de fazer:
– Primeiro, é melhor familiarizares-te com o armazém e arrumá-lo para ficarmos com mais espaço. Depois, organiza a papelada porque, desde que o Santiago, saiu ninguém tocou nisso. Entretanto, vão aparecer fornecedores porque hoje é 3ª feira, vai conferindo e arrumando as mercadorias – explica esperando ter a compreensão de Luís.
– Conferindo? Como assim Dona Teresa? Como sei o que é suposto chegar? – Luís começava a respirar mais aceleradamente.
– Vai vendo pelas facturas dos fornecedores se correspondem ao que estão a entregar para não nos enganarem… Ah, entretanto é normal virem colegas pedir material, escreve tudo o que levantarem para no final do mês o inventário bater certo – diz Dona Teresa com um ar de que tudo aquilo era normalíssimo.
– E as encomendas, Dona Teresa, como faço?
– As encomendas eram o Chef Rui ou a Maria Albertina que faziam antes de irem para casa. Agora que cá estás, eles vão deixar-te a lista e ligas aos fornecedores. Alguma dúvida, tens aí junto ao telefone as extensões da Cozinha, Restaurante e Direcção. Liga-lhes directamente ou, se necessário, a mim que eu ajudo – clarificou Dona Teresa.
Dito isto chega um fornecedor, uma voz rouca:
– Bom dia.
Quando Luís olhou, reconheceu aquela cara: era o fornecedor do dia anterior.
Dona Teresa desejou-lhe ‘boa sorte’ e retirou-se.
O fornecedor disse, admirado:
– Você aqui? Bem, pelo menos hoje abriram a porta mais cedo, o que já é uma grande ajuda.
– Pois, agora vou ficar por aqui, espero…– disse Luís ao fornecedor, não muito confiante.
– Desejo-lhe boa sorte – encorajou o fornecedor. – O outro tipo era um ‘chico-esperto’. Não gostava da arrogância dele, porém, era rápido a despachar os fornecedores e mantinha isto arrumado.
Luís e o fornecedor conversaram um pouco distraindo-se até serem interrompidos por outro fornecedor. Luís assinou a factura à pressa sem ter conferido a entrega:
– Está a ver, estive cá ontem com meia dúzia de coisa e hoje fizeram-me voltar com mais umas tantas, veja se organiza isto. – disparou o fornecedor à saída.
O fornecedor seguinte era o das frutas e legumes. Luís apresentou-se e o senhor fez o mesmo.
– Vamos pesar isto ou posso ir embora? – disse o senhor.
Luís olhou à sua volta procurando uma balança sem sucesso. Olhou novamente e lá encontrou uma balança ao lado dos frigoríficos, mas cheia de material. Apressou-se a desviar tudo e bloqueou a porta de um dos frigoríficos. Pesou tudo e conferiu com os pesos constantes na factura. O senhor explicou-lhe que tinha de tirar 1 kg por cada caixa, pois esse era o peso das suas taras. Estava tudo impecável e o aroma das ervas aromáticas deixou um perfume agradável no armazém. O senhor explicou-lhe que grande parte do que vendia era ele que cultivava, o restante material ía buscar na madrugada anterior ao Mercado Abastecedor da Região.
“Isso explica o ar cansado e tem as mãos assim de trabalhar a terra”– pensou Luís, enquanto reparava nas mãos ásperas do senhor quando se cumprimentavam na despedida.
Chegaram, entretanto, mais dois fornecedores, praticamente seguidos, um de papel higiénico e outro de águas e refrigerantes. Luís não sabia para onde se virar, conferia o material pelas facturas e atirava as mesmas para cima do monte que já lá repousava faziam dias. O vasilhame estava desarrumado do lado de fora do armazém, o fornecedor resmungou que assim não fazia o levantamento e aquele valor seria debitado. Luís lá o convenceu e ambos arrumaram as garrafas por caixa. Enquanto Luís estava a arrumar o vasilhame com o fornecedor, chegou o Chef Rui e começou aos berros porque não conseguia abrir a porta do frigorífico para retirar legumes para o almoço. Indignado dizia:
– Porque que estão latas em frente ao frigorífico? Não tarda tenho os clientes à espera do almoço. Não podes deixar isto assim! – resmungou, colocando de novo as latas em cima da balança. Tirou o que precisava e saiu acelerado abanando a cabeça.
Quando Luís entrou e viu as latas novamente em cima da balança teve vontade de gritar. Apressou-se a tentar tirar tudo do chão e colocar nas prateleiras antes que chegasse novo fornecedor... Já transpirava por todos os lados.
Enquanto isso, entrou um colega do Restaurante que não conhecia, perguntou se podia levar refrigerantes e começou a tirar garrafas para uma caixa. Já ía embora quando Luís o lembrou se tinha tomado nota do que levava. O colega voltou atrás e escreveu na folha, mais rasurada do que outra coisa, o que levava.
Luís continuou nas suas arrumações, tirar o material das embalagens para ficar tudo visível e mais organizado, tentou colocar os enlatados todos juntos, vinhos, refrigerantes, artigos de papelaria. Tentava dar alguma ordem àquela anarquia. Chegaram mais alguns fornecedores e colocou todo o material do lado de fora do armazém para depois poder ir arrumando e ir ganhando espaço. Luís não parava, outros colegas vinham buscar material apressados, alguns elogiavam o que estava a fazer, outros ignoravam ou abanavam a cabeça em reprovação.
Passaram quatro horas. Luís, cansado, colocava as mãos nos joelhos e olhava para as prateleiras vendo o resultado; já tinha praticamente tudo fora do chão e devidamente acondicionado nas estantes. Ofegante, decidiu sentar-se e pensar no próximo passo a tomar, mas o cansaço físico toldava-lhe o discernimento e não conseguia raciocinar.
Sr. Joaquim espreitou pela porta com o seu aspecto roqueiro e exclamou:

– Puxa rapaz, grande revolução. Agora vamos almoçar que já deves ter fome.
Na realidade, Luís nem tinha dado pelo tempo passar e eram já 14h. Foram almoçar e o refeitório encontrava-se vazio: eram os últimos. O pessoal da Cozinha e Sala almoçava sempre antes da abertura do restaurante, pelas 11h30, e o pessoal dos Quartos e Recepção já tinha almoçado. Sr. Joaquim falou um pouco de si e Luís, por momentos, esqueceu-se do resto. A comida confortava-lhe o estômago e a companhia descontraía-o. Luis falou também um pouco de si até que veio um copeiro levantar as loiças e fechar o refeitório, que basicamente era uma pequena sala com duas mesas, um microondas e uma citação curiosa:
Regras da Hotelaria:1ª Regra: O cliente tem sempre razão;2ª Regra: O cliente tem sempre razão;3ª Regra: Quando o cliente não tem razão, aplicam-se a primeira ou segunda regra.Luís olhou para o relógio e ficou inquieto, eram quase 15h! Voltou à realidade e começou a pensar na tarefa hercúlea que tinha pela frente. Despediu-se de Sr. Joaquim, este ía subir aos quartos trocar uma lâmpada, já lhe tinham ligado duas vezes a comunicar a Ordem de Serviço.
Luís regressou a correr, sentou-se e começou a olhar para o monte de facturas e para o computador, olhou para o ícone no ambiente de trabalho do programa de gestão Logística e recordou-se que Jota talvez tivesse utilizado este sistema informático. A password estava afixada no monitor à mão de toda a gente, fez login enquanto ligava ao amigo.
O seu entusiasmo esmoreceu mais uma vez, quando o companheiro lhe disse que não conhecia aquele programa:
– Deve ser parecido Luís, tem calma. Procura algo que diga ‘recepção ou receiving’ para dares entrada do material em sistema o que automaticamente há-de actualizar os stocks. Luís estava perdido e ligou a Dona Teresa a questionar quem lhe podia dar formação :
– Para isso, tenho de marcar uma formação com a empresa que nos instalou o programa e aferir a disponibilidade deles para virem com a máxima urgência. Só o Santiago sabia mexer no sistema.
Luís endireitou os papéis enquanto pensava no que faria sem ajuda, não queria atrasar mais a papelada. Entretanto, os seus colegas não o queriam deixar a pensar muito nisso e vieram buscar mais material. A Senhora Maria Albertina apareceu com uma folha escrita à mão:
– Preciso disto para amanhã; cafés e chás e um reforço de água, tens aí os números de telefone – disse de forma autoritária e sem dar tempo de Luís fazer perguntas. Ainda ele acabava de ler a lista e já ela tinha saído. Luís olhava para a folha e rasurava à frente do artigo qual o fornecedor. A sua ideia era identificar todos os fornecedores por artigo e depois ligar a cada um a fazer a encomenda.
Estava a pensar como iria organizar aquela informação para no dia seguinte utilizá-la para conferir as entregas e recebeu uma chamada: era o fornecedor do pão a queixar-se que ainda não tinha recebido a encomenda e já passava da hora. Durante o dia, já perdera a conta de quantas chamadas internas tinha atendido, mas era a primeira de um fornecedor. Bastou saber-se que havia novo ecónomo e a procura tinha sido imensa a requisitar coisas e pedir favores por telefone: “Traz cá isso que agora não conseguimos ir aí” – pediam.
“Então como faziam antes de haver ecónomo?” – pensava Luis enquanto continuava a ajudar os colegas para não parecer inconveniente.
Ligou para a cozinha e pediu a encomenda do pão. O Chef resmungou e disse-lhe para dizer ao fornecedor que repetisse a encomenda do dia anterior. Toda aquela impaciência dos colegas desde manhã vinha a incomodar Luís. Olhava para o relógio e via a hora de saída a aproximar-se, ansiava ir para casa descansar e pensar no ‘plano de acção’ para os próximos dias.
Arranjou umas caixas de cartão e arrumou as facturas num lado e as requisições noutra, colocou ambas debaixo da secretária. O problema continuava lá, mas estava escondido e o armazém passado 8h de trabalho árduo já tinha um ar mais aprazível. Luís pediu uma vassoura e esfregona à Governanta e lavou o chão.
“Agora vou para casa amanhã, logo se vê” – pensava. Queria sair dali e tinha vontade de fugir. O Sr. Joaquim já tinha passado a despedir-se.
Luis ía a caminho do gabinete de Dona Teresa para dar feedback de como havia corrido o primeiro dia e depois esperava ir para casa.
– Luis, tenho aqui umas encomendas para amanhã, trata disso antes de saíres, se fazes favor, porque isso é urgente! – foi interpelado pelo Chef Rui.
Mais uma vez, Luís não reclamou e voltou para o escritório. Ligou para os fornecedores da carne e do peixe. Resmungaram com o horário tardio e pediram que as encomendas fossem feitas até as 16h.
“Ufa, isto nunca mais acaba, já estou farto que me chamem a atenção por tudo e por nada. Por hoje chega” – pensou Luís e foi embora.
O Economato de Dante
Luís precisava falar com alguém, desabafar. Chegou a casa era perto da hora de jantar. Toda a gente já estava à volta da mesa e ele apressou-se a tomar um duche para se juntar à família. O dia passava-lhe em revista à frente dos olhos e sentia um aperto no estômago. Sentou-se à mesa, contou o que se tinha passado e a desorganização que havia encontrado para além de que tinha de se desenrascar sozinho porque ninguém percebia do sistema informático e estavam sempre todos demasiado ocupados. As irmãs encorajaram-no e tentaram vincar os pontos positivos como ele ter arrumado o espaço físico. O pai barafustava que bem o tinha avisado para não ir trabalhar para o armazém.
Luís foi para o quarto e tentou descansar. Ligou à namorada, mas acabou por não falar muito, estava mesmo de rastos e tentou dormir. Naquela noite tinha companhia na cama; a ansiedade que o abraçava. Dava voltas, virava-se para um lado, depois para o outro, olhava para o relógio de cabeceira e os seus números luminosos no mostrador; via-os a avançarem rapidamente e já passava da meia noite. O corpo dormente do desgaste do primeiro dia lutava com a mente acelerada e lá acabou o corpo por vencer.
Luís sentiu a noite a passar demasiado rápido.
Não reparou no peculiar facto da casa deserta,
o carro já ligado aguardava-o.
A estrada vazia convidava à tortura dos pensamentos;
Latas em frente à Câmara Frigorífica e... o carro
deslizava pelo meio da neblina.
Estacionado o carro em frente ao Balcão da Recepção,
cumprimentou os seus colegas e desceu as escadas tortuosas
mais íngremes do que se lembrava;
Luís descia a interminável escada que se escusava a ter fim:
<
Luís empurrou a pesada porta rochosa,
Prateleiras zigzagueantes colavam-se à escura parede,
envoltas em trepadeiras araliáceas. E o cheiro...
<
<
<
Como quem ante si vê de repente uma inesperada coisa,
<
Luís incrédulo o Socorro procura, porém mudo fica.
O som de um trovão no espaço ecoa,
e o Chef Rui e Maria Albertina surgem,
correndo aflitos, procurando consolo:
<< Precisamos de material, urgente >>.
Tropeçam em Joaquim, no chão inconsciente,
e todos no chão ficam tombados:
<
Um Lodo aparece submergindo tudo à sua volta,
Luís sobe às prateleiras temendo pela sua vida.
< e toda tua valia mostra>>, entoa desconhecida voz: < Novo trovão se ouve e Luís GRITA, sufocando... Luís abriu os olhos, ainda com dificuldade na respiração, abafado, com o coração a palpitar ferozmente. Respirou fundo, olhou para o lado e só o mostrador do relógio ali continuava a passar os minutos, indiferente ao restante breu que invadia o quarto. Os números marcavam agora 3:33. Luís continuava cansado, as pestanas pesavam toneladas. “Calma, foi só um pesadelo” – confortou-se Luís na solidão dos seus sentimentos.
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